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Grande quantidade de casos de adolescentes que se cortam chama atenção de especialista



Você pode estar no salão de beleza e ouvir sobre a menina de 12 anos que se corta. Você pode estar em sala de aula e perceber que a simples batida em um móvel logo faz verter sangue dos punhos de um aluno. Você pode ser surpreendido sobre a história da adolescente que já leva lâmina, embrulhada com esmero, junto ao corpo.


Mas só há surpresa no mundo dos adultos, pois, longe de modinhas como a “Baleia Azul” (jogo suicida), os adolescentes logo contam que enxergam na ferida viva dos cortes uma dor mais fácil de lidar.


Conversando com especialistas da área, e com algumas diretoras de escolas da rede municipal de Bom Jesus da Lapa, temos um panorama da situação da automutilação que cada vez mais atinge os nossos jovens, entre os 12 e 17 anos.


E conversando com uma estudante, a narrativa mostra a verdadeira situação, dentro de muitas escolas e lares de Bom Jesus da Lapa, precisando de uma atenção especial. “Falar sobre isso é tão difícil, porque parece que a gente está querendo se aparecer ou se amostrar, é melhor a gente ficar calada, para não chamar a atenção. Tentei falar duas vezes com minha mãe, e todas as vezes ela disse que era besteira minha, que eu precisava pensar em algo que prestasse. Passei a me sentir muito sozinha, porque também estava sem entender umas coisas que estava passando, pessoais. Nesses últimos meses as coisas estão melhores, algumas coisas mudaram lá em casa, e na escola eu converso com alguma amiga”, disse.


Dores da adolescência – As dores da adolescência não passam despercebidas no ambiente escolar. Sobre esse assunto, o site Notícias da Lapa conversou com a Escola Agenor Magalhães, que é a maior instituição de Ensino da Rede Municipal de Bom Jesus da Lapa, com 870 alunos, e tem vivido também esse tipo de situação. Os professores, diretores e coordenadores pedagógicos tem buscado com a ajuda de psicólogos CRAS, realizar palestras e projetos dentro da escola, e aproximando mais da realidade dos estudantes.


De acordo a Diretora da Escola Agenor Magalhães, a professora Anádia Veléria Cordeiro França, a partir do momento que a direção, juntamente com a equipe pedagógica e professores perceberam alguns casos de mutilações de alunos dentro da instituição, que buscavam ajuda, a equipe precisou conversar sobre o tema e buscar apoio. Tanto é que resolveram intensificar as ações, inclusive, realizando duas semanas de atividade durante o Setembro Amarelo, com palestras, dinâmicas e outras atividades. O evento foi finalizado com uma caminhada nas principais ruas da cidade, e contou com a participação de todos os alunos, distribuindo informativos, com a proposta de alertar a comunidade para a situação, que na maioria das vezes passa despercebida.


“Hoje estamos criando formas de conversar com os nossos alunos, tanto individualizada quanto grupal, por turma, porque nós sabemos que a família de alguns dos nossos alunos somos nós [escola]. A diretora, a professora, e o colega. Pois sabemos que por traz de alguns sorrisinhos tem um problema. Por isso resolvemos fazer essa ação, dentro da escola, e essa caminhada só com os alunos”, afirmou a diretora.


Ainda de acordo a professora Anádia, um olhar atento em sala de aula pode ser o primeiro passo para perceber certos comportamentos nos estudantes, e é a melhor forma de ajudar.


Sobre o tema, nossa equipe conversou com um dos representantes do Projeto Metamorfose, criado em Bom Jesus da Lapa, para ajudar os jovens do município que precisam de apoio, formado pela psicóloga Geisa Magalhães, a Assistente Social, Naiara Nascimento, a Defensora pública, Cláudia Conrado, a Pedagoga, Grace Kelly e o terapeuta Padre Marcos.


Muito triste – Segundo o Padre Marcos, que tem acompanhado algumas escolas e adolescentes na Paróquia São João Batista, no Bairro São João, existe um índice grande de automutilação em Bom Jesus da Lapa. “A questão é que a automutilação é algo muito silencioso, e até chegar onde os pais, os professores, e alguém que estar próximo, detecta que o adolescente ou o jovem tá com essa prática leva muito tempo”, disse.


Então o jovem, ele busca esconder que está fazendo isso, porque no momento da dor ele comete o ato e depois vem o arrependimento. Então, ele busca esconder […] diante de um sofrimento psíquico. A gente costume dizer que a dor psíquica, ela é tão grande que ela precisa ser extravasada . E o adolescente acaba buscada através da automutilação, dos cortes na pele, para extravasar essa dor”, frisou o religioso.


Sobre o projeto Metamorfose, Padre Marcos afirmou que o grupo de trabalho já realizou o primeiro encontro, contando com a participação de 40 adolescentes, onde os participantes tiveram a oportunidade de falar sobre suas dores psíquicas. “Porque se existe uma dor interna, que ela é silenciada, e que gera uma angustia, e o adolescente precisa de um espaço para que ele possa falar”, destacou.


Ele lamentou, que maioria das vezes a sociedade geralmente dar muito espaço para que os jovens escutem, sobre diversas temáticas, mais nem sempre consegue dar o espaço para que eles possam falar. “Então o projeto metamorfose vem justamente para que nesse espaço os adolescentes possam falar das suas dores, onde ele vai ser escutado sem julgamentos, e que nós vamos fazer os encaminhamentos e aliviar essa dor”, disse.


O padre destacou que aqui em Bom Jesus da Lapa tem registrado uma grande quantidade de adolescente que estão com a prática de automutilação, sendo responsável um conjunto de fatores. “Nós sabemos que o ambiente familiar hoje contribui muito. Essa questão do desvio de papeis, onde não se assume os papeis. Muitas vezes o pai não assume o papel de ser pai, e a mãe não assume o papel de ser mãe. Acham que podem prover as crianças dando coisas, celulares, entre outros objetivos, e acha que é suficiente”, lembrou.


“E tem faltado as coisas básicas, estruturais que um ser humano precisa, que é: carinho, o aconchego, o cuidado, o olhar, a presença. Isso tem faltado, e tem deixado, justamente na vida das crianças, lacunas na vida dos adolescente, que lá na frente, quando chega nessa fase, que já é uma fase de transformação do próprio corpo, que já tem suas pressões internas, e que já´tem uma pressão social, que coloca para o adolescente o modelo de vida, o modelo de corpo”, pontuou.


Ele sinalizou que o adolescente não aguenta todas as pressões, já que a dor ela é muito intensa. “Nós estamos fazendo o possível para acolher o maior número de jovens para que a gente tente aliviar, e diminuir esses casos aqui em Bom Jesus da Lapa. Lembrando que o índice de suicídio aqui em Bom Jesus da Lapa ele é pequeno, porque nem sempre a automutilação leva até o suicídio. Isso só leva ao suicídio se esse jovem não for acompanhado. O adolescente que se automutila ele não quer se suicidar, ele que extravasar a dor, que é a dor da alma. Acredito que a partir desse grupo a gente vai ser capaz de mapear e fazer um acompanhamento maior aos nossos jovens que precisam desse apoio”, finalizou Padre Marcos.


O suicídio é um problema sério de saúde pública no mundo inteiro e que merece a devida atenção de todos, e no município de Bom Jesus da Lapa não é diferente.


Fonte: Blog Bahia / Bom Jesus da Lapa Notícias

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