Documentos da Odebrecht podem ter sido adulterados, dizem peritos da PF




Após realizar perícia, os peritos da Polícia Federal admitiram que os documentos copiados do "setor de operações estruturadas" da Odebrecht podem ter sido adulterados. O arquivo da empreiteira foi utilizado para a tese de acusação, onde teriam sido doados R$ 12 milhões a Lula como forma de suborno e a quantia teria sido usada para a compra do terreno do Instituto Lula.

A defesa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, protocolou na última quarta-feira (26) as alegações finais (onde são apresentados os argumentos finais de ambas as partes) do processo em que a empreiteira Odebretch teria destinado uma quantia que seria utilizada para a compra do terreno do Instituto Lula.

Segundo a Polícia Federal, os arquivos utilizados na denúncia contra Lula foram  copiados dos sistema “MyWebDay”, utilizado pelo departamento de operações estruturadas da Odebrecht.

Porém, até ser enviado às autoridades, as planilhas teriam ficado com a Odebretch por quase um ano, e segundo a defesa, o período foi utilizado para modicar arquivos. A entrega dos dados ocorreu após a empresa assinar um acordo de leniência com o Ministério Público.

A peça processual disponibilizada pelo Conjur, contém uma conversa, gravada no dia 30 de setembro de 2019, entre peritos da PF e Cláudio Wagner, contratado pela defesa de Lula para apresentar um laudo complementar ao parecer técnico apresentado pela PF.

Roberto Brunori Junior, perito criminal da PF, ao contrário do que o MP afirmou  que os arquivos foram colhidos com a Odebrecht, e não extraídos diretamente dos servidores na Suíça. 

“Agora só um parêntese aqui, já que está gravando, um parêntese, de cabeça, lembrando, não é certeza, a Odebrecht recebeu [os documentos] da autoridade suíça e ela abriu isso, e mexeu nisso, durante muito tempo ficou com isso lá”, afirmou. 

Ainda segundo ele, ficou comprovada a existência de arquivos “gerados pela Odebrecht” que possuem “datas posteriores às apreensões” do material. 

Aldemar Maia Neto, outro perito da PF, afirma não se importar com a origem dos arquivos. “Pra gente isso é indiferente, pra gente o que interessa é o que a gente recebeu. O que a gente recebeu tá constando no laudo. O que foi colocado ali.”

Os dois especialistas da Polícia Federal assinam o primeiro parecer, de acordo com a defesa de Lula. 

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