Quatro anos após impeachment, petistas insistem em tese de 'golpe' - e não convencem

Quatro anos após impeachment, petistas insistem em tese de 'golpe' - e não convencem

por Fernando Duarte

Quatro anos após impeachment, petistas insistem em tese de 'golpe' - e não convencem
Foto: Marcos Oliveira/ Agência Senado


Passados quatro anos do fim do processo de impeachment contra Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer na Presidência da República, o PT e os aliados insistem na tese de um “golpe” em 2016. Sem entrar no mérito do debate se foi ou não algo dentro dos limites constitucionais, já que as pedaladas fiscais foram relativizadas desde então, esse argumento deveria ser abandonado, ao menos para tentar incorporar novos eleitores. Ao manter viva a tese, o petismo e a esquerda brasileira tentam viver um nostálgico tempo, alimentando a “saudade do que a gente não viveu”. É onde se consolida a oposição ao grupo.

 

Se a narrativa do golpe tivesse funcionado lá em 2016, haveria comoção popular para a manutenção do mandato de Dilma. Não foi o que aconteceu. A ex-presidente não reunia condições políticas de comandar o país, porém apeá-la do poder, dentro das regras do jogo, não foi exatamente um golpe na concepção clássica. Não vivíamos numa república parlamentarista. E não vivemos agora, razão pela qual há resistência quando se fala de um novo processo de impeachment no país. Jair Bolsonaro pode ter inúmeros problemas. Entretanto, não existem condições políticas de retirá-lo do Planalto, como aconteceu com a petista.

 

Como se não bastasse a falta de mobilização da população pró-Dilma - e olha que não faltaram movimentos contrários a ela -, a tese de golpe foi testada nas eleições de 2018. Se a maioria da população acreditasse que a saída de Dilma do poder foi objeto de uma articulação “golpista”, as chances do PT obter sucesso nas urnas seriam maiores. Também não foi o que aconteceu. A rejeição à candidatura de Fernando Haddad foi tanta que Bolsonaro acabou eleito não apenas pelos seus eleitores, mas também por quem gostaria de ver o Brasil longe de um novo governo petista. Ou seja, a tese foi reprovada por quem teria esse poder: o povo.

 

Nas redes sociais, o dia de ontem foi marcado por protestos de petistas e de aliados da então presidente Dilma, denunciando a narrativa de “golpe” em 2016. A história ainda é muito recente para que haja uma visão menos apaixonada por todos os envolvidos no processo. Para quem acredita nessa tese, a versão continua fazendo sentido. O problema é que esse grupo parece estar bem distante de uma maioria da população. E, para vencer nas urnas, é preciso a maioria. Quer o PT queira, quer não...

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (1º) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: SpotifyDeezerApple PodcastsGoogle Podcasts e TuneIn.


fonte: Bahia Noticías

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